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A lenda da vitória-régia Planta aquática nativa da Amazônia, a vitória-régia tem folhas verde-escuro, grandes e de formato circular, que se apoia na água. As folhas têm bordas dobradas, formando uma espécie de bandeja, e podem chegar a dois metros de diâmetro. Dizem que cada "bandeja" desta pode suportar o peso de uma criança pequena, sem afundar na água. Tal o encanto da vitória-régia, que os místicos indígenas que habitavam a Amazônia antes da chegada dos portugueses desenvolveram uma história para justificar seu aparecimento na natureza. Devemos entender que lendas são histórias bonitas, mas não verdadeiras. Segundo a versão tupi-guarani, há muitos anos, contava-se em uma tribo, a Lua (Jaci, para os índios) era uma deusa que, ao despontar a noite, beijava e enchia de luz os rostos das mais belas jovens índias da aldeia – as cunhantãs-moças. Sempre que ela se escondia atrás das montanhas, levava para si as moças de sua preferência e as transformava em estrelas no firmamento. Uma linda jovem da tribo, a guerreira Naiá, vivia sonhando com este encontro e mal podia esperar pelo grande dia em que seria chamada por Jaci. Os anciãos da tribo alertavam Naiá: depois de seu encontro com a sedutora deusa, as moças perdiam seu sangue e sua carne, tornando-se as estrelas do céu. Quem a impediria? Naiá queria porque queria ser levada pela Lua. À noite, cavalgava pelas montanhas atrás dela, sem nunca a alcançar. Todas as noites eram assim, e a jovem índia definhava, sonhando com o encontro, sem desistir. Não comia e nem bebia nada. Tão obcecada ficou que não havia pajé que lhe desse jeito. Um dia, tendo parado para descansar à beira de um lago, viu em sua superfície a imagem do deusa amada: a Lua refletida em suas águas. Cega pelo seu sonho, lançou-se ao fundo e se afogou. A Lua, compadecida, quis recompensar o sacrifício da bela jovem índia e resolveu transformá-la em uma estrela diferente de todas aquelas que brilham no céu. Transformou-a, então, numa estrela das águas, única e perfeita, que é a planta vitória-régia. Assim, nasceu uma linda planta cujas flores perfumadas e brancas só se abrem à noite, e ao nascer do Sol ficam rosadas. |
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